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[ESPECIAL]Rayman através das gerações

By : PlayersPlace
Vamos relembrar a trajetória do querido, mas meio esquecido, mascote da Ubisoft.

Rayman (Multi) - 1995

O primeiro jogo da franquia era um sidescrolling bem colorido e chamativo no qual o jogador, no controle de Rayman, precisa libertar os seis Electoons para resgatar o Great Protoon, uma bolota rosa mística responsável por manter a paz e o equilíbrio no mundo de Rayman, que foi roubada pelo vilão Mr. Dark.
O game foi originalmente lançado para Atari Jaguar, PlayStation, Sega Saturn e MS-DOS, mas também recebeu versões para Game Boy Color, Game Boy Advance, DSi Ware, Android e iOS.

Rayman 2: The Great Escape (N64/PC) - 1999

Este foi o primeiro game tridimensional da franquia e também marcou a primeira aparição de personagens icônicos como Globox. Desta vez o mundo de Rayman está sendo invadido por piratas espaciais e diversas batalhas ocorrem na tentativa de impedir os vilões. Em um destes confrontos Rayman acaba capturado é neste ponto que o jogo começa.
Rayman 2 foi lançado para Nintendo 64 e PC em 1999, recebendo versões para PlayStation, DreamCast, e iOS posteriormente. Além disso, remakes e adaptações com nomes diferentes foram lançados para Game Boy Color, PlayStation 2, Nintendo DS e Nintendo 3DS sob os títulos de Rayman 2 ForeverRayman RevolutionRayman DS e Rayman 3D, respectivamente. Mas se tratam do mesmo jogo.

Rayman 3: Hoodlum Havoc - 2003 (Multi)

Rayman 3 trás André, um “Black Lum” malvado que converte Red Lums em Black Lumscomo ele, na tentativa de dominar o mundo. E é claro, resta a Rayman a tarefa de salvar o dia. O jogo traz de volta o estilo 3D, mas desta vez com um tom mais sarcástico e algumas piadas envolvendo o gênero plataforma.
O game deu as caras no GameCube, PlayStation 2, PC, Game Boy Advance e N-Gage. Também recebeu um port em alta definição intitulado Rayman 3 HD, para PlayStation Network e Xbox Live Arcade.

Rayman Origins (Multi) - 2011

Retornando às origens do estilo plataforma sidescrolling, surge este aclamado sucesso de críticas, desta vez permitindo que até quatro jogadores se divirtam simultaneamente na tela. Com um estilo artístico único e excelente design de fases, Rayman Origins marcou com louvor o retorno da série principal do mascote da Ubisoft.
A história se passa 400 anos após os evento do terceiro game e conta como Rayman e seus amigos irritaram acidentalmente os mortos vivos da Land of the Livid Dead com seus roncos, resultando em vários inimigos sendo enviados para atacar nossos heróis. O game foi lançado para PlayStation 3, Xbox 360, Wii, PC, Nintendo 3DS e PlayStation Vita.

Rayman Legends (Multi) - 2013

Rayman Legends traz novamente o estilo artístico marcante e jogatina multiplayer de seu antecessor. Rayman e seus amigos despertam depois de um sono de 100 anos após os eventos de Origins. Durante este tempo os pesadelos se multiplicaram e se espalharam, resultando em uma ameaça iminente ao mundo.
Lançado originalmente para Wii U, PlayStation 3, Xbox 360, PC e PlayStation Vita, com versões para PlayStation 4 e Xbox One no ano seguinte, além de uma versão especial exclusiva para Nintendo Switch chamada Rayman Legends Definitive Edition.

Menção honrosa: Rayman Raving Rabbids - 2006

Este spin-off surgiu do nada e com uma proposta muito diferente. O jogador ainda fica no controle de Rayman e, através de diversos minigames, deve resolver o problema da vez, que são os Rabbids: estes coelhos meio abitolados das ideias que causam um caos generalizado por onde passam. O jogo deu as caras no Wii, PlayStation 2, PC, Game Boy Advance, Nintendo DS e Xbox 360.
A fórmula deu certo e surgiram duas sequências: Rayman Raving Rabbids 2 (Multi) e Rayman Raving Rabbids TV Party (Wii/DS). Entretanto, os Rabbids foram ganhando destaque por si mesmos e Rayman foi cortado dos games seguintes, dando início à uma franquia própria dos coelhos, com direito a desenho animado e até mesmo um crossover com a turma do Mario em Mario + Rabbids Kingdom Battle.
Mas voltando ao Rayman, ele ainda apareceu em diversos games menores para PCs, celulares com suporte a JAVA e também alguns mobiles mais modernos. Alguns exemplos incluem diversos jogos educativos com o personagem e Rayman Designer (PC), que permitia ao jogador criar as suas próprias fases. E você aí achando que Super Mario Maker (Wii U/3DS) que tinha revolucionado.
Apesar da pouquíssima quantidade de jogos principais e de ter sido enxotado da própria série spin-off, Rayman ainda é um mascote extremamente carismático e que desperta um carinho enorme em todos aqueles que tem o prazer de jogar um game dele. Estamos todos ansiosos pelo próximo título do herói desmembrado e torcendo para que não demore muito.

Por que a representação feminina e tão importante?

By : PlayersPlace

O que as mulheres sentem ao jogar com heroínas nos games
Por Flavia Gasi Eu ainda me lembro do dia em que descobri que Samus do primeiro jogo Metroid era uma mulher. É claro que ela nos revelava isso tirando o uniforme, o que pode ser algo até questionável nos dias de hoje, apesar de totalmente normal naquela era 8-bit. Mas me recordo de ficar abismada, feliz, um pouco atônita. Eu era uma menina. Podia ser eu. Eu podia crescer, comer bastante espinafre, e virar uma caçadora intergaláctica de recompensas -- ok, menos, mas você entendeu.Anos mais tarde, também me apaixonei pela Terra, de Final Fantasy VI, uma mulher que podia ser monstro, heroína, mãe... E foi a comandante Shepard, de Mass Effect, que me inspirou a fazer uma tatuagem de games, minha primeira. Claro que as escolhas ajudam, mas acredito que a relação é mais profunda do que isso. Sempre que tenho um dilema na vida real, tento pensar no discurso Paragon que meu eu-cibernético faria. Isto é, nossa relação com os personagens dos jogos pode ser muito importante e serve de catalisador para um bando de vivências. Se você é gamer, você entende do que eu estou falando.E é aí que entra a tal da representatividade. Eu sei, parece uma oração bonita que você lê por aí em alguns comentários de Facebook. Saiba que para nós -- no caso, as mulheres, mas você poderia colocar aqui qualquer grupo que não seja o padrão “homem, branco, classe média” --, é muito mais do que isso. Representação é o começo da possibilidade de sentimos que nós mesmas estamos jogando, de desgrudar de verdade do nosso corpo e habitar um novo. A tal imensurável imersão. Assim como é possível que um homem jogue com um personagem masculino e se sinta representado, o mesmo serve para nós, mulheres. Quem nunca se sentiu um pouco Gordon Freeman (Half-Life) ou um pouco Link (The Legend of Zelda)?

Por que tantas meninas pedem mais mulheres nos jogos?


A produtora de games Thais Weiller, 27, explica: “Se o nosso público é 50% feminino, mas nosso desenvolvimento é composto de menos de 20% de mulheres, a única forma de mais mulheres quererem entrar no mercado é se elas se sentirem como parte dele. Se menos de 15% dois jogos têm personagens femininas, como elas vão se sentir parte?” E essa é uma pergunta importante. Conheço um sem número de garotas que simplesmente desistiu de jogar por não se sentir incluída. E antes de você condenar essa atitude, pare para pensar: quantas vezes na vida você nem chegou perto de algo que não era a sua praia mesmo antes de experimentar? É um sentimento absolutamente normal.

Quando você se sente parte, um mundo de possibilidades se abre. “Eu fiquei muitos anos sem console, daí descobri que o primeiro Bioshock tinha sido escrito por mulher [Alyssa Finley roteirizou o game juntamente com Ken Levine], o que foi suficiente para eu comprar um”, conta Rebecca Puig, 28, roteirista e blogueira. “Eu sempre gostei de games, mas nunca soube que eu podia escrevê-los também. É uma questão profissional. Eu jogava, mas na minha cabeça todo mundo que fazia jogo era homem, então nunca nem considerei que pudesse ser parte desse mercado. Quando fiquei sabendo dela, quis ver como era. Fiz aula de roteiro para games por causa disso.”
Para mim, Flávia Gasi, essa mudança ocorreu no dia que fui chamada para dar uma entrevista para a revista Herói sobre o filme de animação Final Fantasy: Spirits Within. A editora era uma mulher, a entrevistada que tinha jogado todos os games da série era uma mulher (no caso, eu mesma). Foi assim que descobri que eu poderia falar/escutar/escrever sobre jogos como profissão. É a mesma sensação poderosa de descobrir o seu lugar no mundo.

Mais do que isso, os horizontes podem se abrir até mesmo para cultura e entretenimento, além de experiências catárticas. “Pra mim, a questão da representação sempre esteve muito ligada à particularidade da personagem e não necessariamente com sua semelhança à minha pessoa”, explica Aline Antunes, 28, ilustradora. “Quanto mais particular (detalhes, personalidade) puder ser meu personagem, mais as reações dele se alinham às minhas possíveis. Me emocionei em Dragon Age: Inquisition, quando cantaram a uma só voz a oração Chant of Light, em minha homenagem. Não sei traduzir em palavras a emoção que a surpresa me causou, mas nunca vou me esquecer do arrepio repentino que subiu pelo meu corpo e explodiu em lágrimas, completamente descontroladas. Sinto uma satisfação forte ao jogar com personagem mulher.”

Representação e Identificação


É crucial entender a diferença entre identidade e ter um personagem na tela, mesmo que ele seja parecido com você. Afinal, há mulheres que optam por jogar com personagens homens: “Quando existe a opção entre personagens de gêneros diferentes, sempre escolho o masculino. Pra mim, é indiferente ser menina, mas prefiro quando o protagonista é homem. Acho que é mais o que eu queria ser. Ou o que queria ter. Talvez seja porque as meninas de jogos são sempre meio fracas ou pamonhas”, opina a estudante de cinema Ana Carolina Carelli, 25. Da mesma forma, certos personagens podem nos atrair por outros motivos, conforme Thais Weiller descreve a experiência que teve com Red Dead Redemption: “Foi um dos jogos que mais me identifiquei com o protagonista, e ele era homem. Ao mesmo tempo, gostava de todo universo porque as mulheres representadas também pareciam críveis”.

Os jogos que permitem a personalização do personagem e escolhas ao longo da narrativa oferecem um escopo maior e melhor para aquelas (es) que ainda não se identificaram fortemente com algum protagonista pré-selecionado.“Se for falar de representatividade literalmente, eu nunca sou representada nos games que jogo porque sou gorda e gay. Ou seja, não deve ter nenhum jogo com uma personagem assim”, define a diretora de arte Daniela Paiva, 25. “Gosto de jogos onde é possível escolher a aparência do personagem, porque ao menos eu tenho a impressão de que realmente estou fazendo parte daquilo -- como em Skyrim, por exemplo --, e não apenas ajudando um cara qualquer a chegar nos objetivos dele.”
Mais do que ver uma personagem legal na tela, as mulheres que entrevistei querem mesmo é imergir nos papéis possíveis. Como gamers, acho que todos desejamos a mesma coisa. Contudo, é essencial colocar que não estou dizendo que os personagens masculinos não devem ser feitos ou apreciados por todos. É simplesmente uma questão de matemática: as quantidades de personagens masculinas e femininas deveriam ser mais equilibradas, para que ninguém se sinta deixado de fora.
Videogames são minha paixão, então eu adoraria que todas as pessoas, independentemente de gênero, raça ou credo, pudessem compartilhar comigo os momentos virtuais que marcaram e mudaram a minha vida. Para tal, tenho mais uma coisa a dizer a você, mulher que lê este texto: keep nerding.

-Flávia Gasi é colunista do IGN Brasil e publica a seção "Por Trás dos Pixels" 

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